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por Gaia

​"Não quero esconder a cozinha do que será servido pronto.

Hoje, o prato dia chama-se começar" - Regina Favre (Do corpo ao livro)

Tudo para mim começou pela boca. Foi pela experiência de gosto que eu cheguei ao corpo e ao germinar das poéticas. Eu tinha dificuldades de acessar o caminho da experimentação e produção artística. Onde começa pulsar um desejo criativo, um impulso, uma semente, um possível tema disparador? E como sustentar um processo, com que corpo?

 

Procedimentos, ferramentas e práticas artísticas, assim como em qualquer outro fazer, são operações corporais. Quem pensa, escreve, imagina, modela, edita, monta, desenha, canta, dança ou toca é sempre um corpo. É o corpo do artista. As práticas configuram campos de produção de corpo; trata-se do corpo usando a si mesmo de um determinado modo para realizar uma determinada ação, seja braçal ou intelectual. Assim, o corpo de uma ceramista molda-se na relação com a argila da mesma forma que a argila é modelada pela ceramista. O corpo de uma cozinheira matura-se na sua lida diária com os alimentos. 

 

LABios pretende ser essencialmente um ambiente confiável e um tempo formativo para germinar e incubar processos criativos a partir de uma base somática, pelo Método Formativo by Regina Favre. E essa investigação que começou pela boca.

 

A boca é um meio de encontrar. Um meio é, simultaneamente, um ambiente e um modo de conexão. A boca como um lugar de encontros com outridades vegetais, animais e minerais que constituem este corpo nos lembra, parafraseando Viveiros de Castro, que "ali, onde toda coisa é humana, o humano é toda uma outra coisa". Tornamo-nos outra coisa pela experiência radical (e tão ordinária) de devorar e assimilar outros seres. A boca é também uma paisagem de imagens, memórias, sensações e histórias. Uma constelação de relações mais-que-humanas.

Foi por essa senda que comecei a formular uma ecologia de práticas pedagógicas em artes baseada no fundamento mais-que-humano de onde brotam e emergem incessantemente novas formas de vida poética na floresta multifacetada do real. É pensar cada corpo em si mesmo como um laboratório onde uma multiplicidade biopoética nos solicita modos de atualizar essas virtualidades de nós mesmos na produção de vida em devir-com. Produção do que somos como SOMA. 

Neste site, reúno conteúdos em arte, clínica poética, educação e filosofia, além de um portfólio de trabalhos e projetos realizados em parceria com outros artistas e pesquisadores que estão explorando caminhos para inventa[ria]r modos outros de produção artística que nos habilitem mais amplas superfícies perceptivas para os encontros e a composição de alianças com todas as formas de existência em uma [cosmoest]ética não antropocêntrica.

Bom apetite!

nathalia leter | mestranda em arte educação pela UNESP, produtora de conteúdo, artista-performática produzindo um modo de vida rural no vale do paraíba - SP e conduzindo processos de pesquisa-criação em artes visuais.

contato: nathalia.leter@gmail.com

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